Academia da Essência Humana


ABERTURA, APRESENTAÇÃO E PORTO DE HONRA


Nasceu a Academia da Essência Humana aqui mesmo diante dos seus olhos! É certo que ainda não está reconhecido pelo ministério da educação nem goza de um edifício pomposo, aliás é bem virtual e digital, pelo menos por enquanto. Sim, disse por enquanto pois (ainda) não se pagam taxas por se sonhar ou almejar a manifestação desse mesmo sonho num futuro possível. E de tentar fazer por isso.
Por vezes convém não falar muito alto quando as coisas ainda estão no plano das ideias ou dos sonhos já que há muita gente com falta de imaginação, ética ou de propósitos próprios que gosta de se "abutrar" a isso (para mim a palavra "abutrar" é perfeitamente legítima pois é o verbo que reflete a ação do abutre, só é pena que não esteja ainda oficializada no dicionário porque bem o merece, tal é o exagero de aparições que dá no quotidiano humano).

Para além disso, a ideia provém de um movimento pessoal que surgiu posteriormente à realização de uma sessão de Parcerias de Focusing que realizo com uma amiga canadiana, à semelhança de milhares de Parcerias de Focusing que acontecem pelo mundo fora. Ou seja, este movimento, que me faz absolutamente todo o sentido neste momento, pode vir a ser considerado como um grande "delírio" de um pobre coitado meio anónimo ou um toque de "génio" de uma grande promessa. E confesso que nenhuma me atrai, mas o seu propósito é bem maior do que isso. Pelo menos assim espero. O tempo o dirá. Acredito que todos os grandes saltos de fé na vida implicam risco, caso contrário não teriam tanto valor.

Então neste momento preciso, neste aqui e neste agora, a Academia da Essência Humana é um projeto onde se vão partilhar vivências em forma de lições, que emergem espontaneamente das Parcerias de Focusing (para quem não faz a mínima ideia do que é o Focusing pode consultar este artigo para começar).

O seu propósito é dar a conhecer por dentro este processo criativo, terapêutico e verdadeiramente promotor do desenvolvimento pessoal, mas também da paz e da harmonia comunitária. Ele, distingue-se de muitos outros por procurar ter como ponto de partida o contacto com a essência humana e singular de cada pessoa, bem como das situações que só ela está a viver. Um contacto que apenas pode ser feito através daquilo que vibra nos ossos do nosso corpo. Para além disso é fácil de aprender e sustentável, pois só tem de se ter um parceiro de confiança com quem se possa praticar.
Assim sendo, os "professores" e o "sistema de ensino" que caracterizam esta Academia são bem diferentes daquilo a que estamos habituados, já que, respetivamente, estes professores não só vivem dentro de nós (por favor não pensar em esoterismo!) como temos o direito de só assistir às lições quando estivermos, literalmente, para aí virados. Está primeiramente dirigida aos adultos, mas nunca se sabe como as coisas podem evoluir.

Este artigo é uma apresentação deste projeto e das lições que, se Deus quiser, aí virão. Digo "se Deus quiser" não no sentido religioso mas no sentido de "Deus" ser uma palavra que, em termos gerais, refere-se a uma experiência de ligação ou mesmo de pertença perante a insondável infinitude que permeia o universo e que cá está há muito, mas mesmo muito mais tempo do que a presença humana. E sim, falo mais ou menos daquilo que se sente quando olhamos com deslumbramento para as estrelas, quando conectamos verdadeiramente com a experiência que está além das palavras e definições que depois lhe damos.

E uso a expressão "se Deus quiser" porque é uma expressão tão portuguesa e com tanta profundidade que muitas vezes não nos apercebemos. As minhas avós diziam-me isso a toda a hora e a verdade é que ela possui uma precisão existencialmente petrificante, isto se colocarmos o aspeto religioso da palavra "Deus" de fora, pois há pessoas que tem alguma icterícia conceptual a isso, apesar da vivência ser tão importante como a palavra, do mesmo modo que a mensagem é tão importante como o seu mensageiro. Por vezes até mais.

Bom, mas o que quero realmente dizer é que se entendermos a palavra Deus como uma tomada de consciência vivida da presença de infinitas circunstâncias não-humanas a reger a nossa existência, acabamos por descobrir que nós não somos donos nem senhores desses desígnios, mas não nos fica nada mal estarmos agradecidos por isso, passiva ou ativamente. Quando digo circunstâncias não humanas não estou para aqui a falar de alienígenas ou algo assim, mas daquilo que não é obra humana, como por exemplo a temperatura do sol, o movimento da Terra, a essência transmutável da água ou a quantidade de oxigénio que está ao nosso dispor.

O progresso tecnológico pode semear perigosamente arrogância nos nosso egos, mas a realidade é que ninguém sabe se aqui estará amanhã nem como isto tudo funciona. Por isso sim, usar declaradamente a expressão "se Deus quiser", pois é bom ter esperança, mesmo que não seja consciente. Aliás é vital, pois uma parte de nós tem, sem ter qualquer certeza disso, de acreditar sempre ou confiar que a continuidade da sua experiência se vai manter, caso contrário destrutura-se, muitas vezes irremediavelmente.

Não sei ao certo que lições virão nem a sua periodicidade. Talvez semanal ou de duas em duas semanas. Confesso que há uma certa piada e liberdade em me autoproclamar reitor de uma academia que praticamente só existe dentro da minha cabeça. Digo praticamente porque, confesse-se, isto também é escrito e enviado para o mundo que nós partilhamos. Mas voltando ao reitor autoproclamado, confesso que o "sistema educativo" desta Academia não tem programa curricular a não ser o de aprender a respeitar e articular a essência humana em cada um e na própria vida. Será dado espaço ao que tem de acontecer e depois relatar, articular ou aprender com o sucedido. E não o contrário, pois isso seria espezinhar e formatar as possibilidades que o presente, o inovador e o ainda não criado nos podem oferecer.

Neste espaço não nos interessa muito aquilo que alguém já tenha dito ou algo que se possa encontrar num livro duma qualquer biblioteca. Interessam sim as experiências subjetivas, singulares, sentidas e autênticas que brotam da interioridade de cada um ao fazer este processo de Focusing, um processo que procura dar à luz as vivências profundas e elevadas que pulsam na nossa essência.

Sejam então bem-vindos! E levantemos um copo de qualquer coisa à vossa escolha, que honre este abençoado parto. Espero contar com a vossa visita quando se apresentar a primeira lição. "Se Deus quiser", estarão virados para aí.

Até lá
João da Fonseca


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