Introdução ao Blog do João do Focusing

"A experiência é uma miríade de riquezas. Nós pensamos mais do que aquilo que conseguimos dizer, sentimos mais do que aquilo que conseguimos pensar e vivemos mais do que aquilo que conseguimos sentir. E mesmo assim há ainda muito mais"                                                    

Eugene Gendlin | Criador do Focusing


Bem-vindos ao Blog João do Focusing!

Este é o meu blog profissional de Psicólogo, Psicoterapeuta e Focusing Trainer.

O Blog começa por ter 3 tipos de PUBLICAÇÕES. O primeiro é de ARTIGOS onde se publicam assuntos sobre Focusing, Psicoterapia, Espiritualidade e Existência. O segundo é o da ACADEMIA DA ESSÊNCIA HUMANA, onde se partilham um conjunto de relatos provenientes de experiências reais de pessoas que praticam parcerias de Focusing, de modo a que seja mais fácil compreender por dentro a potencialidade deste processo e sua respectiva parceria. Por fim, temos os VIDEOS com publicações audiovisuais de relevo para este contexto.

Assim, como pontapé de saída, nada melhor do que conhecer o que o Focusing representa através das  palavras do seu próprio criador, Eugene Gendlin. Alias, ele não iria gostar muito que o apelidassem de criador, pois dizia vezes sem conta que não tinha criado nada já que para ele este processo é uma capacidade humana ancestral que já se encontra no nosso DNA. Ele dizia que apenas o tinha nomeado. Mas não é preciso tanta modéstia pois o que ele acabou por fazer foi criar um método para ensinar esta capacidade ao mundo. 

O meu bem-hajam a todos 

João da Fonseca

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"Em primeiro lugar este método envolve uma mudança de direção muito precisa. A pessoa tem de parar de falar consigo mesma internamente; e começar por perguntar "O que é que está mal?" e depois aguardar em silêncio e refrear-se para não procurar responder à questão. Na maior parte das vezes, as pessoas parecem todas ter um imenso conhecimento sobre o que está mal, no entanto, é totalmente diferente quando aguardamos e escutamos internamente pela resposta, ao invés de dizermos logo a nós próprios o que se passa de mal.

Por norma, uma pessoa pensa sobre si mesma a partir "de fora para dentro". Durante o focusing a pessoa muda para uma perceção de si "a partir de dentro para fora". Em vez de tentar dizer ou pensar qual é o problema em questão, tem de se manter em silêncio e escutar. Depois o que acontece é que a versão sentida do corpo sobre qual é mesmo o problema, acaba por emergir e tornar-se claramente sentida para a consciência da pessoa...


Em segundo lugar, temos de perceber antes de começar, que as palavras podem vir a partir das sensações. As palavras aparecem sempre qualquer das maneiras, pois ninguém se consegue calar ou parar de pensar por muito tempo. Mas há um modo de deixar todas as palavras que aparecem passarem, exceto se essas palavras "vierem das" sensações. Uma outra maneira de dizer isto (já que a expressão "vierem das" é algo misteriosa), é que existem certas raras palavras que possuem um efeito que é sentido em nós. Eu chamo a isso o efeito experiencial. À medida que estas raras palavras vão surgindo, damos por nós a ter uma maior precisão sobre as sensações e sentimentos em causa através de uma mudança sentida (felt shift) que acontece muitas vezes antes de podermos falar sobre o que se trata.

Por fim, em terceiro lugar, tenho de explicar logo à partida que é possível sentir um problema como um todo e deixar o que é importante vir naturalmente ao de cima a partir dessa perceção corporal...antes de começarmos, damos instruções à pessoa sobre este terceiro ponto: "Quando tiver uma sensação corporal sobre o todo da situação, não procure tentar decidir o que é mais importante sobre isso. Sinta isso como um todo e não decida absolutamente nada".

Sumariamente, são discutidos três princípios até que a pessoa os perceba: 1) Esperar cerca de 30 segundos sem falar consigo mesmo, deixando as palavras aparecerem se for caso disso, até que se consiga sentir a partir do corpo uma sensação fresca e nova sobre o problema. 2) As palavras podem vir de um sentimento ou sensação e essas palavras tem um poder especial, um efeito sentido que outras palavras não têm. 3) Quando tiver uma sensação sobre o todo do problema, não decida o que é mais importante nisso. Pergunte: "Qual é o ponto essencial disto?" e deixe que isso venha de forma fresca e nova a partir da forma como sente o todo do problema.

Assim o focusing consiste em atender ao nosso felt sense. Um felt sense distingue-se de emoções pois estas por norma já estão definidas culturalmente, como a raiva, o medo ou a alegria. O felt sense é algo que é ainda cognitivamente indefinido. Outra das diferenças é que o felt sense é sempre internamente mais complexo, sendo realmente sentido como uma complexidade. As emoções são aquilo que são, não são internamente complexas. Por exemplo, a raiva que sentimos é só isso mesmo, raiva. No entanto, se nos perguntarmos, "o que é tudo isto, que está envolvido no eu estar com raiva?" e deixarmos a resposta apresentar-se como quer, sem palavras, mas com um felt sense, esse felt sense é de facto internamente complexo. Pode aparecer como um sentimento ou sensação mas é sempre sobre o todo de uma situação. 

Quando surge uma mudança sentida (felt shift), ocorre no corpo uma sensação física de alívio ou de abertura. Não é ainda um insight pois por norma ainda não existem palavras para isso. As palavras que servem para compreender o que é que realmente mudou demoram o seu tempo a aparecer.

Para praticarmos focusing, temos primeiro de deixar que o felt sense se forme, pois por norma ele não está lá sempre à nossa espera, nem aparece a qualquer custo ou de forma instantânea. Temos de permitir que a nossa atenção se vire para dentro e durante algum tempo, mesmo que durante 30 segundos a um minuto possa parecer que não está lá nada.

A mudança sentida costuma aparecer após algum período de tempo a fazer focusing, e é seguida por uma experiência de alívio que pode fazer com que o corpo respira naturalmente de forma profunda. Enquanto o focusing pode prolongar-se ininterruptamente durante algum tempo, a mudança sentida é relativamente rara durante as sessões e sempre breve, embora os seus efeitos e ramificações possam ser rastreados e verbalizados por períodos mais longos de tempo.     

Bons Focusings!    

João da Fonseca      

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